Pouso

Pousei por livre vontade
na palma da sua mão
E agora você decide
se é liberdade ou prisão.

domingo, 5 de junho de 2011

Eu explico

No raso, no raso
É medo
Medo de ter que colar os pedaços
Medo de ter que quebrar o retrato
É timidez de início de ilusão

No raso
Bem no raso
É experiência mal-sucedida
É mágoa acumulada
É resto de paixão no coração

É querer jogar o lixo fora
Mas se apegar à recordação

No raso
Lá no raso
É o pânico do outra vez
É o mistério do não dar
É a previsão da frieza
É a voz da certeza
De estar só no final

É por conhecer as pessoas
E seu comportamento
Sua doçura passageira
Seus hábitos contemporâneos
De colocar validade
De usar
E descartar

Sabe, lá no raso?
Não é falta de vontade
É lembrar como dói a queda
Como quem se afoga
Não quer mais água
Quem se queima
Não quer mais fogo

Entende?
Não é não gostar
É não ter mais olhos
Para ler a mesma história
É não ter mais boca
Para gritar a mesma frase
É não ter mais ouvido
Para colecionar nãos
É não ter mais cara pra bater
E não ter mais coração pra apanhar

É que no raso
Bem no raso
Tudo já sofre
A síndrome do não ir mais
Porque demora
Mas a gente aprende
Não sobra nada
Mas a gente entende

No raso
Lá no raso
Onde o corpo da esperança
Está sepultado.

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