Pouso

Pousei por livre vontade
na palma da sua mão
E agora você decide
se é liberdade ou prisão.

domingo, 5 de junho de 2011

Micareta e farofa na praia

Não é interessante como chega um final de semana e você olha pra vida e pergunta: pra quê? É. Ou não. Depende de quem você é, porque se você for consumidor de cerveja quente tem sempre o churrasco na casa do fulano (é impressionante o número de churrascos que aparecem quando a pessoa bebe e...), se você gosta de cerveja gelada deve ter um jogo entre Flamengo e Corinthians num bar qualquer com tv a cabo, se você gosta de homens descamisados passando a língua na sua boca sem pedir autorização, deve ter uma micareta qualquer na sua cidade e... por que eu tô sempre em casa? Porque eu escolho estar sempre em casa. Errado. Acho que é porque eu não sou flamenguista, nem corinthiana, nem vejo o Programa do Ratinho e não sei fazer lasanha, nem dar escova no cabelo de amigas, nem tirar cutícula, nem fazer maquiagem, nem fazer dieta. Parei. Com certeza é porque não sei fazer a velocidade 5 na dança do créu. Ou é por que não como coração de galinha com farofa de manteiga? Parei de novo. Entretanto, eu já prometi que ano que vem vou prometer aprender a tomar cerveja e rodar a latinha molhando todo mundo nas micaretas, vejo muita gente ter amigos sendo assim.
Quem sabe uma boate gay? Mas aí também não dá, eu não sou alegre o suficiente, nem tenho roupa adequada, porque, com certeza, eu encontraria lá pessoas muito melhor vestidas do que eu e eu também nem sei cantar Firework.
Praia também é uma alternativa pro fim de semana, se eu gostasse de sol. Um recital com amigos inteligentes, se eu fosse intelectual. tem isso também, as pessoas sempre pensam que você é intelectual se você diz que não gosta de cerveja, micareta e farofa na praia. Errado. Isso não é intelecto, é isolamento. Se juntar com a galera do rock e tomar vodka de madrugada, se você soubesse cantar em inglês e tivesse uma boa sombra, um bom lápis e já tivesse ingressos pro Rock in Rio.
Daí você resolve aparecer no churrasco do sítio. Ouvindo o pancadão, o pagodão, a pisadinha, o batidão, a swigueira, o bate-lata, o fundo de quintal, o ronco da cuica, o castigo do tamborim. A impressão que dá é que você já é um estranho ali porque todos já estão rindo tão alto que parece que é de você (deve ser porque você já chegou com fones de ouvido e um livro grosso na mão - é típico de pessoas que não estão acostumadas com micareta e farofa na praia). Você fica lá, sorri com simpatia, tem a galera sem camisa fazendo piada, tem a mulher que só fica pegando as latinhas pro cara que ela quer pegar, começam os apelidos carinhosos, as fotos com a farofa caindo da boca. E você tá lá, tentando parecer mais natural que banana em vitamina, quando, na verdade, você já arrumou um jeito de ficar triste pensando no fulano que do nada parou de te ligar e disse que amava outra no twitter (pesquisas comprovam que 90% das pessoas que não gostam de micareta e farofa na praia estão sempre sofrendo por amor). E você já arrumou também um jeito de olhar com poesia até as formiguinhas que passeiam pelo seu pé.
Aí você inventou um trabalho pra fazer, uma prova pra estudar e foi pra casa. É melhor ficar lendo Machado, escrevendo poesia, ouvindo Caetano. Mas você não é intelectual o bastante. Você liga o computador, entra no msn, fala com aqueles amigos que estão tão entediados quanto você, mas já não são tão íntimos seus pra marcar um programa pra hoje - vocês trocam um "Vamos marcar mesmo!" - e você vai morrer de ciúmes no twitter, ao som do Exalta.

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