Pouso

Pousei por livre vontade
na palma da sua mão
E agora você decide
se é liberdade ou prisão.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Você você você você você você nananana?

Na minha época de Ensino Médio, todo mundo descobriu Renato Russo, Cazuza, Cássia Eller etc. Acho que, na verdade, todo mundo descobre o rock no Ensino Médio, todo mundo quer aprender logo a tocar guitarra ou bateria pra ter logo uma banda, ir pro Luciano Huck ou até sonhar mais alto e almejar tocar na Feira de Ciências do colégio ou até mesmo o auge do sucesso: tocar na festa de algum colega de sala. Mas tá, não é isso.
Comecei falando do Renato, porque ele é o compositor de Faroeste Caboclo, aquele musicão - literalmente - de 10 minutos e 1.220 palavras, que vai até virar filme (tô curiosa pra saber quem vai ser a Winchester-22 e...) e tal. Pois é. Na minha época de escola (você percebe que não pode mais cair e levantar com a mesma velocidade, quando usa "na minha época", dica), o sonho de todo mundo era decorar Faroeste Caboclo. Não se podia ser legal se não se soubesse cantar Faroeste Caboclo. Você podia não saber cantar o Hino Nacional - a maioria do Ensino médio não sabe cantar mesmo, quem liga? - mas Faroeste Caboclo era obrigatório! Como assim você não sabe cantar Faroeste Caboclo? Tinha aquela galera que achava que Pais e Filhos era "É preciso amar" e que Renato Russo era do Barão Vermelho e tinha até aqueles que cantavam "seexo oraaal  não faz meeu estiloooo", mas Faroeste Caboclo tinha que saber. Aí, tá.
O que eu quero falar mesmo é sobre este branco, esta agressão, este insulto que está sendo feito às grandes composições. Entendam GRANDES, no sentido de 1.220 palavras. Não podemos ficar calados diante dessa musicalidade composta por monossílabos (panela na mão), diante desse exagero onomatopeico (peguei o megafone), diante desse tédio musical (pintei a  cara), diante dessa falta de vocabulário dos compositores! (subi no palanque).
Você você você você você você você você você você você você você você você você você você você você você você... quer? COMO ASSIM? A pessoa passa horas repetindo um pronome pessoal de tratamento e a única coisa que ela consegue criar depois disso é QUER? Vou não, quero não, posso não. Opa, eu fiz de novo. Agora só resta uma saída. É dar uma fugidinha com o Super Man e ... Para. Sério agora. Atire a primeira bola de papel quem nunca pensou: "Por que eu não fiz essa músicaaa?" Vamos lá, pessoal, quem aqui não queria ter sido o compositor do Rebolation ou do Tchubirabiron? Ou até mesmo da Florentina, Florentina, Florentina de Jesus, não sei se tu me amas, pra que tu me seduuz? Simples! Mas não, vocês ficam aí querendo fazer  bonito, como se o povo quisesse beleza e...
Tá. Mas revoltante mesmo são aquelas letras que o pessoal sequer se dá ao trabalho de colocar monossílabos. Eles preferem os laiá laiá, nananana, lelelelele, ô-ô-ô, aê aê aê aê ê ê ê ô ô ô ô ... Tipo vem bananear ê á, vem... eer... huum... faltou rima ... vem NANANANA. Pronto, vem nananana. E todo mundo nanananando. Ainda tem o pessoal que até consegue fazer uma estrofe e aí depois começa a repetir, não sei, acho que é pra se convencer de que ficou bom, mas o negócio é que bate o desespero quando um cara fica no seu ouvido falando Sou negão, sou negão, negão por 16 vezes. São 16 vezes. Duas palavras. 16 vezes! Duas. Palavras. Dezesseis. Vezes. Duas palavras. Duas palavras. Viu, como cansa? Pois é. Renato Russo diria o quê? "Palavras repetidas... mas quais são as palavras que nunca são ditas?" Ô.

Um comentário:

  1. HAUSHUSHAUSHAUASUAUHAUSHAUSH! Eu te amo! M.

    ResponderExcluir