Pouso

Pousei por livre vontade
na palma da sua mão
E agora você decide
se é liberdade ou prisão.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Retroagindo

Posso afirmar que há algo que conheço sobre mim: sou indiscutivelmente apegada às coisas. Vivas ou não. Não importa; as coisas, quando posso tê-las, viram eu mesma. Sou parte das coisas e as coisas são parte de mim. É impossível largá-las.
Tenho em minhas mãos um livro, comecei a devorá-lo enquanto estava indo para casa, no ônibus. Me envolvi com o livro, me apaixonei pelo livro, pertenci a ele. Chegou o ponto em que eu deveria descer. Dali então haveria um trajeto a pé que me levaria até minha casa, porém achei muito desconfortável caminhar lendo, encoberta por um sol tão dolorido como é o das três da tarde. Passei do ponto e continuei no ônibus, mesmo sem saber ao certo qual seria a rota daquele momento em diante. Permaneci, porque não podia abandonar a leitura do livro e muito menos esperar chegar em casa para seguir devorando-o, iria sentir saudade, não gosto, seria o caminho mais longo e mais sofrido da minha vida. Espero chegar até o terminal mais próximo para tomar um outro ônibus que me deixe a poucos passos da minha casa, caminho que posso fazer lendo, não tem problema.
Por isso, às vezes não gosto de ver as pessoas. Me arrependo de encontrá-las. Sou demais os outros para esquecer os outros. Não gosto de vê-los indo embora. É uma pena ter nascido assim, desacostumada com partidas, com finais. É uma pena que eu tenha tentado mudar, pois tenho piorado bastante.

Um comentário:

  1. Com certeza tem momentos que não desejamos nada alem de um bom livro que nos possa despertar um desejo de satisfação e de identificação consigo mesma.

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