Pouso

Pousei por livre vontade
na palma da sua mão
E agora você decide
se é liberdade ou prisão.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Lei da ação sem reação

Primeiro era a incerteza, depois foi o acidente. E, de repente, assim mesmo, de última hora, sem mais inteiro ou meio mais, ele estava lá. E a vida não perde a mania de fazer com que a gente esteja sempre onde a gente tinha mesmo que estar, por natureza do destino- para quem acredita- , por força do acaso - para quem confia - , por tudo ter que dar errado para só assim dar certo... que seja: a vida se encarrega de fazer o que a gente, por si só, não faria. E então, voltemos a ele, despretensioso, sorridente, feliz,  lá. E ela, despretensiosa, feliz, lá também. Quem imaginaria, no meio daquele tanto de gente, daquelas tantas vozes e risadas, daquele barulho todo, daquela alegria espalhafatosa que eles se olhavam? Ninguém. Era um olhar demasiado cúmplice para ser perceptível. Era um olhar tão "combinadinho", "acertadinho", íntimo. Se perguntado, diriam certamente que eles nem se conheceram. Mas trocaram algumas palavras... cúmplices e íntimas, tanto quanto os olhos permitiram. 
E naquele trocar-de-palavras-de-despedida-e-chegada (duas ou três frases, no máximo), muita coisa se passou. Dentro dele. Dentro dela. Fora dele. Dentro dela. Quase nele. Dentro dela. A intimidade que se deu naquele momento, anos de conversa não trariam. Era uma chance para os dois. Entretanto, chances não podem ser desperdiçadas, nem descartadas, nem se pode deixar que chances fiquem esperando. Ele se esqueceu de mencionar que a voz dela era linda e que o jeito que ela sorria era engraçado e que ele havia reparado em seus cachos. Esqueceu-se também de dizer que poucas mexeram com ele da forma como ela mexeu. 
Então, ele respirou fundo. E prometeu a si mesmo que não perderia a próxima chance. Resolveu que a abraçará tão forte da próxima vez que quem estiver olhando vai dizer "há dois corpos matando uma saudade." Resolveu que não diria muita coisa, só a ouviria falar, porque isso seria canção para ele. Anotou para não esquecer: devo fazê-la sorrir. 
Ele poderia ligar e adiantar esse encontro, seria uma boa ideia. Mas... e a graça da saudade? Da oportunidade espontânea? E os olhos que tanto querem surpresa? Não. A vida faz melhor que ele. A vida entende mais. A vida tem mais experiência de vida. E ele lhe agradeceu profundamente por ter a ele ensinado: espera que é teu.