Pouso

Pousei por livre vontade
na palma da sua mão
E agora você decide
se é liberdade ou prisão.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Não atenderemos

Interrompemos sua programação para informar que tem gente me ligando sem saber que não é bom negócio me ligar. Essa alma parece ser boa demais, portanto está resolvido: não vou atender. De jeito nenhum. Mentira, tem um jeito sim. Atendo a essas ligações com uma condição: se começar, não acabe. Só que - todo mundo sabe que quando eu uso o querido "só que" é porque estou prestes a desistir de algo. Então, como eu dizia, só que é óbvio que vai terminar, e o porquê vocês já sabem: o velho defeito de não levar o menor jeito para este jogo chamado relacionamento amoroso, vulgo "namoro". Estou sem paciência, absolutamente sem paciência. Lá vem alguém de novo; alguém legal, fofo, inteligente, gentil, engraçado. Alguém que em 2 meses já vai ter percebido que não foi boa coisa ter me ligado. Alguém que não vai entender minhas vontades súbitas de ir ao mar, que vai ter que lidar com meus cancelamentos repentinos de programas porque do nada me deu vontade de escrever, de ler Clarice ou de simplesmente ficar deitada na cama olhando fotos no meu mural. Alguém que não vai saber trocar cartas nem escolher presentes. Essa pessoa, em 2 meses, vai pedir que eu fale mais baixo e que eu atenda o telefone, por favor. Vai dizer que eu trabalho demais e que nós não conversamos. Vamos ter que ir a almoços de família e a minha inabilidade em ser simpática vai ser constrangedora como sempre.
Estou sem paciência, absolutamente sem paciência.
O negócio todo é que nem eu me acostumei com algumas manias ainda. Eu me tolero pra caramba, me perdoo    e tudo mais. Bacaninha, ótimo. Mas eu sei que não sou o tipo de pessoa que seja ideal de se ter por perto. Me conheço. No fundo, todo mundo se conhece. Nunca completamente, mas se conhece. Ainda hoje descobri que não dá pra cantar enquanto mergulhamos. Incrível. E isso é padrão. Cada um sabe muito de si, ainda que sempre haja mais para se saber. Todos os detalhes de mim só eu sei: a maneira de pentear o cabelo, o modo mais confortável de dormir, a cor que me cai melhor, quando vou ficar doente, o que me faz bem quando sinto febre, a comida que me vai me dar alergia, o amigo que eu vou perder, o amigo que eu vou ganhar, o dia que não vai ser bom. Isso tudo é de uso pessoal e intransferível. Chegar alguém agora? Agora que eu já não acredito mais em romances? Agora que eu não consigo mais ser fofa, carinhosa, atenciosa e todo aquele blá blá blá que todo início de namoro pede? Agora é noite. A alminha é realmente boa, mas algo vai dar errado num futuro próximo. No primeiro encontro, eu estarei desconfiada, no segundo, estarei desconfortável, no terceiro, vou estar impaciente, imaginando o que motivará nossa separação.
É assustador, mas parece que eu não estou nem um pouco disposta a recomeçar, por melhor que seja a pessoa que está ligando, mandando mensagens e entregando chocolates. 
Tomara que o Universo me mande paciência de volta e que ela não venha de cavalo branco e vestida de veludo. Porque eu não tô merecendo.

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