Pouso

Pousei por livre vontade
na palma da sua mão
E agora você decide
se é liberdade ou prisão.

sábado, 11 de agosto de 2012

Desmudando

Quando a gente perde o fio da meada da vida, a ponta do durex... passa do ponto, queima... estraga tudo  ou está prestes a. Qual é a hora exata? Tô procurando... é árduo. O que eu queria mesmo era saber onde eu deixei meu gosto por minhas pequenas coisinhas. Eu gostava de dançar, de encenar, gostava de tocar, de estudar, de sair e sorrir. Aliás, ainda gosto! E é isso que me incomoda. Nessas tentativas sucessivas de mudar e esse pensamento forte, essa coisa obsessiva... essa brincadeira acabou dando certo. De tanto tentar mudar, mudei. E me arrependi. E agora quero desmudar. Perdi a doçura. Perdi o tempo do abraço que lembro que, aos 16, na escola, era o preferido da sala inteira. Perdi alguma coisa no olhar também que havia durado até a faculdade, o pessoal gostava. Perdi o afeto gratuito pelas pessoas: sempre fui de escrever carta sem motivo, dar presente, oferecer minhas coisas, fazer favores, abraçar apertado, encher de beijo. Parei. Não consigo mais. Tive motivos, nem todo mundo entendia e foram muito duros comigo. Tanto, tanto que machucou e aí fui obrigada a me proteger. Devagarzinho fui aprendendo a desamolecer. Eu me sentia melhor quando conseguia mandar carta sem motivo e fazer visitas surpreendentes. Inventei de querer agradar aos outros e me perdi. 
Agora pra me achar de novo tá difícil. Rezo para ter me escondido e não ter me matado. Sabe aquele parente que saiu pra comprar pão há quinze anos e nunca mais voltou? Que a família inteira ainda mantém a esperança de encontrar vivo, embora a lógica diga que ele está morto? Então, sou minha família esperançosa. Sou aquela que não quer ouvir a lógica. Eu não morri, só estou desaparecida. 
Uma necessidade enorme de mim ressurgiu. Os outros que fiquem desagradados. Eu é que não posso me desfazer de mim, ora essa. Caiu a ficha. Não tá hora de subirem os créditos, porque minha história chegou no clímax agora. Que nem no filme novo do Batman, que todo mundo pensa que ele morreu e ele aparece lindo e barbeado jantando com a Anne Hathaway. 
Pois então, vou acertar os pontos da minha vida, colocar os pingos que eu tirei dos meus is. Não serei bruta como os brutos que me machucaram, vou consertar minhas asinhas e procurar gente com a asinha quebrada pra ajudar a consertar. 
Meu Deus, escrever me liberta. Abri o caderno morta e termino este texto viva, vivíssima, cheia de esperança, cheia de mim de novo. Escrever me arruma todas as chaves e me tira as correntes, lasca os cadeados. Deus foi esperto... me fez perder tudo, menos a vontade de escrever, pois sabia que, escrevendo, eu acharia tudo de novo. Agradecida.

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