Pouso

Pousei por livre vontade
na palma da sua mão
E agora você decide
se é liberdade ou prisão.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Manifesto pela originalidade

Querem me doutrinar. Mas como podem me arrebanhar, se tudo que quero ser é apenas o que vi, o que li e o que já nasci sendo?
Criticam o meu lugar. Mas não podem dizer que ele não existe. Meu lugar existe e nele estou, dele falando. Entram, saem, turistam em meu lugar e se compadecem dele. Não deviam. Ninguém quer a piedade de gente que não transita, não entende e tem um medo vagabundo do que não é sua própria cara, sua própria alma, seu chão de areia medíocre. Gente que só concorda com as concordâncias e só discorda das discordâncias.
Não me farão uma cópia. Estou em eterna construção. Cada parte de mim, imperfeita, inacabada, não será trancada com a fórmula da Coca-Cola. Não podem me comercializar, pois o que há em mim que pensa não é debitável, creditável. Não podem me parcelar.
Querem me engarrafar. Hoje em dois litros, amanhã em um só, e eu nunca derramo.
Querem dizer que estou certa, que estou errada, que posso melhorar nisso, naquilo e no outro também. Como podem me dar as certezas e as dúvidas, se não respondem às perguntas que fazem a si mesmos? Por que esperam minhas melhoras, se tudo o que há de pior em mim significa tanto eu quanto o melhor de mim? Se eu não for pior, estarei presa perpetuamente. Se eu não estiver errada, eu vou ser a caneta bic nas mãos de alguém que pensa. Do meu olhar nasce o meu erro, que vai ser menos errante quando eu piscar os olhos e vai ser mais dúbio quando eu dormir e vai ser mais conflitante quando eu acordar.
E assim você me olha e me acha um erro e eu te olho vendo outro erro e somos um espelho de erros. E existindo vão o meu e o seu lugares, certos como o socialismo chinês e como a democracia no Brasil.
Querem me convencer. Não me convenço. De nada. Nunca. Ninguém me coloniza e eu também não colonizo ninguém. O silêncio adiante. É no meio do caminho que há a pedra, na qual todos tropeçamos porque mimetizamos demais o caminho.
Liberdade, se você existisse.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Hoje é o tempo do menino

Hoje é o tempo do menino.

Branco é o futuro,
como o primeiro gosto de humanidade.

Breve é o berço,
como os primeiros danos.

Leve é a alma,
como os pueris sonos.

Do menino
o relógio é ainda vazio.

O tempo somente promete:
hoje, branco, breve, leve.